sexta-feira, 28 de outubro de 2011

saudade

vieste de um mundo violeta
onde viveste em histórias apenas.
e choras de saudade,
porque o que resta desse mundo
não é mais que a merda presa às minhas botas,
que por muito que limpe não há-de sair tão cedo.

talvez venha a chuva e lave as minhas botas.

talvez venham lágrimas e levem a tua saudade.

mas a chuva já veio
e continuo com as botas sujas.
já derramaste tantas lágrimas
e a saudade ainda te habita,
sem pagar renda nem nada.

a rasgar o papel de parede,
a partir lâmpadas,
a riscar os móveis,
a caminhar nua e de saltos altos
para te lembrares que ela tão cedo não sai.

mas tu também não a queres ver fora de ti
porque a saudade é o pouco que te lembras de onde vivias.
sem ela, as memórias eram só histórias
que contarias aos teus filhos,
para eles terem saudades também.

1 comentário:

  1. não se deve escrever sobre saudade, por muito que "todos" o façamos. só a aumentamos ainda mais. mas está muito bonito, para variar, não é gui? :)

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