quem diz que um poema tem de ter rimas?
que nos temos de nos prender a palavras
que todos os dias deitamos fora?
quem diz que uma árvore tem de ter folhas verdes?
que não pode vir o outono e levar a vida embora
que nunca foi nossa nem de ninguém?
pois, nem nós resistimos ao frio,
e somos tão fortes, tão resistentes, tão aquém
de todas as forças e tão acima de todas as fraquezas,
a existir o nosso próprio meio termo:
nem muito vivo, nem muito morto.
nem muito são, nem muito enfermo,
nem no paraíso, nem no horto,
onde morreu quem deu fé,
como se tivesse chegado a viver,
feito de pão e vinho,
que é tão mundano que é sacrilégio,
como qualquer caminho
já apagado do chão por ser tão pisado.
mas foi heresia criada pelo homem,
tal como foi o cerne de tudo imortal
criado por quem já morreu,
e adorado por quem existe no erro ou benção
de quem o trouxe, quem sabe um deus
ou algo tão perto do chão,
como nós.
"Há homens que já nascem póstumos."
Nietzsche
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