domingo, 9 de outubro de 2011

ego

feio, fútil, fatigado.
fechado no meu próprio fim.
no meio caixão,
confinado às minhas crenças,
calado e quieto.
aquilo que sempre quis mas nunca me foi dado.
sedento por água num qualquer deserto
com um lago a meu lado.
a congelar no evareste
quando ardem em mim mil sóis
cada um mais quente que o seu adjacente,
num círculo em volta de mim.
são eles paixões que sofri, neguei, vivi.
sofri por estupidez,
p'lo meu egoísmo.
neguei por timidez,
por ser eu mesmo.
vivi uma de cada vez,
sozinho no meu solipsismo,
só e abandonado.
só e rodeado de quem me quer bem,
alvo do meu próprio enxovalho.
cansado de dizer a mim mesmo
que sou um idiota e sei-o.
e digo isto com muito orgulho.
aliás, até releio:
sou um idiota e sei-o.
por me por à frente do mundo.

afinal, quem precisa de amigos
quando me tenho a mim?
excêntrico, egoísta, egocêntrico e algo masoquista
por querer o que não posso ter,
sem ânsia de esconder o desejo.

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