toda uma nação na guerra.
uma geração luta p'la próxima.
uns, por quererem ser mais homens.
outros, por estarem dispostos a deixar de ser para os outros serem.
uns, donos de tabacarias, senhores de mercearias, filhos de pai incógnito e de mãe que não os queria.
outros, mercenários, filhos de generais, gente que teve tudo na vida.
mas na guerra são todos iguais,
é a sobrevivência do mais forte,
mas toda e qualquer morte,
traz dor ao batalhão.
cai um jovem sereno no chão.
de farda vestida,
lê-se no seu colar de latão,
destroçado por uma bala:
"3º esquadrão de infantaria."
o seu corpo pesado, quieto, numa poça de sangue,
é como um chamamento para os amigos soldados,
é um grito de guerra, que multiplica a raiva.
ouvem-se tiros - ainda mais.
o rugir das armas ecoa em campo de batalha,
nada parece tão certo na vida como morrer,
e eles sabem isso.
muitos não vão chegar ao fim do dia, muitos vão perecer.
e só vão ser lembrados numa estátua de um soldado desconhecido,
que nem a geração pela qual lutam sabe quem é.
ternura
mãe, o pai foi embora.
foi para a guerra, que é uma coisa que não percebo,
porque ele sempre me disse que lutávamos numa guerra todos os dias.
mãe, o pai foi embora.
foi para as trincheiras, que é um sítio que não conheço,
mas pelo o que o pai diz não é um lugar onde eu iria.
mãe, o pai foi embora.
foi, mas não queres saber, encharcada em vinha que é mais placebo
que cura para o que vives, ou dizes viver, verdade ou mentira.
mãe, o pai foi embora.
foi e não volta mais, morreu sem direito a enterro.
mas eu vou buscá-lo, vou finalmente fazer algo que há muito queria.
mãe, eu vou embora.
vou para a guerra, para as trincheiras, mas tenho algum medo.
vou para ao pé do pai, mas tu nunca te importaste se eu vivia ou morria.
mãe, eu não volto mais.
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