erguido da bruma,
fez brilhar o dourado no escuro,
numa espécie de azul.
fez muitas milhas,
viveu muitas vidas,
enquanto explorava um mundo
que existia no caos,
calmo e bruto,
produto do momento,
e em 78 rotações por minuto.
nascido num mundo dentro do novo mundo,
de latão em punho.
sons teus a acompanhar-me em noites de solidão,
a deixar silêncios, por breves segundos,
para o ar ser livre também onde a desordem reina.
ó príncipe da escuridão,
pouca alegria se via em ti,
apesar de deitares toda a dor fora com sopros,
uns mais fortes, outros mais graves.
uns que jingavam no próprio som,
outros que choravam,
num berro alto que mal se ouvia,
no meio da tua fama triste,
p'la dor que era tua e dos teus irmãos.
(dedicado ao Miles Davis, 1926 - 1991)
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