ó mar, os teus dias já foram.
fechaste as tuas águas a quem te deu nome!
de ti já só ondas britam,
os filhos de quem te criou passam fome...
somos do mesmo sangue,
da mesma carne, do mesmo espírito
e mandas contra nós as tuas falanges,
só por seres prolongamento do infinito!
céu do céu. da terra, um véu
que tapa as nossas imperfeições.
de tantos homens um mausoléu,
de tantos que se somem, nem visões.
eu, um saco de pele e ossos,
um empecilho, um conceito.
dono e posse de um culto de devotos
que conhece apenas um sujeito:
o mar nosso, o mar de todos!,
repleto de vida e para onde venho morrer.
o grande colosso, o pai do êxodo!,
infinito pr'ós sonhos que vêm aqui ser.
o problema é que os deixamos todos por terra...
o meu sonho de ser capitão ficou n'aldeia
e volto ainda hoje, para junto da serra
onde sonho navegar p'lo irmão da areia.
mas agora que sou o que queria ser
só quero viajar pelas ruas que nem vagabundo.
nada brota daqui, este mar mo fez ver
domingo, 22 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
a passear pelo fundo na superfície
fomos todos para o mundo,
sempre a descer, é bem fundo!,
dei de caras com a vida
sem saber como é merecida.
midas trocou-a por ouro,
nada que não mate!
outros tristes dedicam-n'ao choro,
um complexo do foro da mente,
"ansiamos resgate!
queremos o que já não temos p'la frente!"
chego a toda a parte,
(ser específico não é a minha arte)
e vejo que ao fundo da rua
uma mulher vende noites de loucura!
ela é filha de um pobre na estrada
ou de um magnata sem caminho!
mostra as mamas por nada
mas se queres tocar já vais ter de pagar,
"sou oferecida e dou carinho,
só quero uns trocos e um lugar para gritar!"
vamos lá, siga no andamento!
um vagabundo olha para mim todo sorridente,
com um pote na mão à espera de milagres
quando ele bem sabe que todo o mel é vinagre.
em tempos se calhar até foi senhor,
ou sempre foi um triste à espera.
só não trabalha pelo seu grande amor:
a preguiça e o pó que o desperta.
"andam todos muito ocupados nesta esfera.
eu não atrapalho e fico parado de mão aberta!"
passa por mim o d. engravatado,
tão atarefado!, a voltar para a família de predicados:
um pai e mãe milionários (ausentes para toda a gente!)
um puto mimado (preso ao cómodo com as próprias correntes!)
embarra contra mim de telefone na mão,
só ele sabe tanto sobre o ofício da pressa!
há-de vir-lhe uma qualquer emoção,
qualquer coisa que o gelo que lhe prende as veias não suporte.
"tenho um forte porte e não faço nada, essa é que é essa.
uma vida carregada de ser carregado, é a minha sorte!"
e aí vem ela, toda lançada, sem qualquer receio.
um movimento de ancas que limpa um passeio inteiro.
um decote que realça o que ela quer ostentar,
umas pernas que mostram que o frio não vai no ar.
é louca que nem um chapeleiro,
a mania come-lhe o discernimento,
para ser diva só lhe falta dinheiro,
isso e uma mente dela que não lhe fazia mal.
"ai minhas lindas o meu único lamento
é que nem sei o que vestir para toda a ocasião social."
sempre a descer, é bem fundo!,
dei de caras com a vida
sem saber como é merecida.
midas trocou-a por ouro,
nada que não mate!
outros tristes dedicam-n'ao choro,
um complexo do foro da mente,
"ansiamos resgate!
queremos o que já não temos p'la frente!"
chego a toda a parte,
(ser específico não é a minha arte)
e vejo que ao fundo da rua
uma mulher vende noites de loucura!
ela é filha de um pobre na estrada
ou de um magnata sem caminho!
mostra as mamas por nada
mas se queres tocar já vais ter de pagar,
"sou oferecida e dou carinho,
só quero uns trocos e um lugar para gritar!"
vamos lá, siga no andamento!
um vagabundo olha para mim todo sorridente,
com um pote na mão à espera de milagres
quando ele bem sabe que todo o mel é vinagre.
em tempos se calhar até foi senhor,
ou sempre foi um triste à espera.
só não trabalha pelo seu grande amor:
a preguiça e o pó que o desperta.
"andam todos muito ocupados nesta esfera.
eu não atrapalho e fico parado de mão aberta!"
passa por mim o d. engravatado,
tão atarefado!, a voltar para a família de predicados:
um pai e mãe milionários (ausentes para toda a gente!)
um puto mimado (preso ao cómodo com as próprias correntes!)
embarra contra mim de telefone na mão,
só ele sabe tanto sobre o ofício da pressa!
há-de vir-lhe uma qualquer emoção,
qualquer coisa que o gelo que lhe prende as veias não suporte.
"tenho um forte porte e não faço nada, essa é que é essa.
uma vida carregada de ser carregado, é a minha sorte!"
e aí vem ela, toda lançada, sem qualquer receio.
um movimento de ancas que limpa um passeio inteiro.
um decote que realça o que ela quer ostentar,
umas pernas que mostram que o frio não vai no ar.
é louca que nem um chapeleiro,
a mania come-lhe o discernimento,
para ser diva só lhe falta dinheiro,
isso e uma mente dela que não lhe fazia mal.
"ai minhas lindas o meu único lamento
é que nem sei o que vestir para toda a ocasião social."
Subscrever:
Mensagens (Atom)