"p'la força do sol nascente
desembainha da tua espada
e faz das tuas vítimas
o teu legado.
que a tua honra prolifere
pelos campos de batalha
e se tiveres de cair,
cai, sabendo que a cor que causaste ao teu adversário
é o prazer da tua morte."
é este o meu hino,
a minha sina.
a maldição com a qual foi abençoado.
ver pais e filhos a tombar a meu lado em guerra,
a geradora de descendentes orfãos e de ascendências desgostosas.
mãe, fui para a guerra para ser homem
mas vim de lá derrotado e de rastos...
como posso ter honra ainda?
voltar da guerra perdida
não passa de cobardia...
condeno-me ao exílio
por ter vergonha de morrer
e medo do que sou:
cavaleiro andante parado na minha desolação,
um isolamento do mundo encarcerado em mim mesmo.
o mundo conheceu-me forte e guerreiro
e nunca mais me viu.
oculto vivo,
em morte.
o néscio
o néscio.
tão boémio,
detentor da sua glória ignóbil e suja,
orgulhoso e envergonhado, perseguido por um passado que ainda o é,
mancha eterna no próprio pensamento,
seguidor cego de um glorioso culto oculto.
o filesteu.
prometeu do nosso tempo
que nos prometeu o fogo dos antigos,
anciões inimigos para nosso bem,
manipansos omniscientes sem noção do mundo,
só concentrados em salvar-nos do fundo
enquanto nos privam da mente que nos deram.
todo o bem do mundo de nada vale quando negamos quem nunca nos deu provas de presença.
dicotomia: eloquência e mais não sei o quê: carta
queridos reis,
com são com vossos luxos?
com os vossos fluxos sanguíneos perfeitos e rosados,
com as numerosas mentes que sonham por vocês
apenas sendo ignoradas?
do povo vim e por cá continuo.
sou parte da tua corte de baixo nível,
da tua sorte azarada,
da tua hipérbole por um mundo melhor (para sua excelência)
e de uma venda para mim.
tudo promessas, tudo em vão, eh.
e eu, o burro a puxar carroças d'oiro,
o cabrão a levar ao colo quem pode voar,
o velho a abrir janelas para a sala cheia de luz!
GRANDE IDIOTA!
eu, cavaleiro eterno na minha mula,
vos saúdo!,
ó imperadores do opulento reino de merda.
eu sonhador interno e sofredor externo,
sei de todo o mal da pátria e amo-a incondicionalmente.
sei dos escândalos, dos vândalos, das enchentes de corrupção e das sedes por dinheiro.
sei dos patrocínios ocultos, das festas de chá de menino rico, dos patrimónios sujos e da sobreestima dos vossos fatos.
soube das armas e barões assinalados e sei de todas as ruas e estradas mal sinalizadas.
sei de tudo o que valeu pena, não sendo a alma pequena, podendo a alma caber-me na cova de um dente.
sei de todas as mentiras, repetidas e re-repetidas até se tornarem verdade,
sei das vossas auto-condenações, que vos convenceram que ninguém mais o faria.
sei que o vosso discurso nada vos importa, apenas a vossa imagem distorcida.
sei do crédito que rege o vosso mundo que nos tira credibilidade e que ainda nos dá crenças!
sei da vossa vaidade a quem chamam fama.
sei dos vossos apetites de grandeza e da vossa barriga já tão grande que não vê os pequenos.
eu vos saúdo!, e a toda a vossa genialidade e a todos os que ainda acreditam em vocês!
afinal, tanta ingenuidade é motivo de festejo!
qualquer excesso que haja hoje é bom!
muitos bobos, muitos idiotas, muitos promessas, muito ócio, muitos motivos para não ter fé, muitos vivos para pouca terra.
muitos muitos para muitos poucos.
srs. reis,
eu me despeço e vos saúdo,
com um muito saudoso "ide-vos foder",
o patriota.