o americano
oh grande herói.
foste tu que nos deste tudo
sem pedir nada.
o teu corpo penetrado por balas mancha o chão dos teus inimigos.
os teus, já fundo no mundo
em putrefacção
choram por ti.
confessaste os pequenos males que te pesavam.
levaste o teu isqueiro.
estavas em paz.
e assim continuarás.
adão e eva
somos feitos de peças soltas
mas onde está a nossa dor?
está espalhada por umas e por outras
manchas sujas, das quais só sobra vapor.
foi tudo ao ar, nada mais resta
e este é tão nocivo como a nossa voz.
a minha civilização é esta
e nem repulsa sinto por nós.
somos todos os primeiros a ser como somos
mesmo sendo cópias do que pensamos ser.
vivemos na boca do lobo
e ignoramos o que nos está a acontecer.
somos comidos, digeridos, dissolvidos por enzimas,
vomitados, castigados e atirados para os fogos magistrais
o que nos resta da mente não é o que fica ao de cima
mas sim o que nos torna exactamente iguais.
somos todos tão vestidos,
tão politicamente correctos,
tão pensativamente desmedidos,
tão mentalmente incertos.
qualquer passo para a inovação
atrasa a nossa mentalidade,
estamos presos ao chão
e a culpa é da nossa enfermidade:
a nossa criatividade é delimitada pelo que os outros pensam...
e eles sofrem do mesmo.
tanto
uma despedida despida de qualquer receio,
nua e para sempre efémera.
presa num momento.
o que temos em mente é o que somos
e nunca o que era.
só a gente se veste tanto.
um orgasmo residente no futuro.
um organismo sozinho e distante.
nada nos resta.
apenas nos tapa a vergonha um manto.
só a gente complica tanto.
o céu coberto de tormentos
torna o sol numa miragem.
é tudo claro quando não sonho
e reduzo a minha mente a uma imagem.
só a gente se obscura tanto.
será que somos só memórias numa vagem?
uma viagem na margem de um rio
intrinsecamente viajado e conectado por pontes de água
que me lembram que os meus neurónios
só me servem de castigo.
só a gente se lembra tanto.
só a gente se analisa tanto,
como se a introspeção trouxesse respostas.
Sem comentários:
Enviar um comentário