anel
castigaram-te o peito.
o peso de um anel tombou-te o corpo.
o verde que conhecias já ignoras,
só o ouro te conduz e guia pelo escuro,
até ao fogo.
enfrentaste bestas aladas,
fugiste de bestas feitas de lama e lava,
cobertas de ferro e escuridão.
todas elas mais imperfeitas que nós homens,
todas elas mais imponentes que nós monstros.
vinte anéis e apenas um para os governar a todos.
por baixo do céu,
nas câmaras rochosas,
a quem foi destinada a morte
e a quem é feito de escuridão,
um anel para os governar a todos.
rei
num manejo imaculado da espada
mandaste muitos para a morte.
e para tua sorte
caíste para o fim e voltaste
para fazer chover sobre os teus inimigos
nada que não a raiva que eles te deram.
feiticeiro
de cinzento te vestias, mas nunca mais.
agora és branco como a luz que conduzes
nas trevas.
anão e elfo
um machado e trinta metros de determinação
é o que usas como arma.
um arco e nada mais.
em eterna competição,
ambos vencedores.
dio
ajoelhas-te sobre o chão que pisas e sujas
e dedicas rezas a quem não te ouve.
balada
ouço um tiro no escuro,
é sempre bom para dançar.
uma balada feita só de barulho
é o som do mundo a rodar.
será que ninguém ouve
a escuridão que só eu vejo?
ninguém será o que sou,
estou preso no meu desejo.
todo o mundo num segundo,
não passa de um ponto final.
o fim comprimido no fundo da frase,
o conteúdo não é mais fulcral.
somos todos parte de uma balada,
e quem nos escreveu foi quem nos amou.
somos um ajuntamento de peças inacabadas,
um comício de tudo o que foi
e que não nos define mais.
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