vê os outros lutarem como se fossem ratos,
atira mais um pedaço de queijo, atira um para cada um
e a luta assim segue para que um fique com todos.
já chega de diversão.
põe ratoeiras por tudo o que tens.
dispõe de meios para controlar os roedores.
apercebe-te que são inúteis,
ergue-te e despede-te deles para correres atrás deles por serem a única coisa que ainda te restava.
eles não voltam.
abandona tudo, embala criancinhas no teu colo,
sussurra-lhes que tinhas tudo.
apercebe-te que não tens consolo,
só um sonho mudo
que deixou de dar música há séculos.
cai água do tecto.
está tudo em ruínas, tens a torre mais humana de todas:
a desfazer-se, sem pilares nem fundações.
concentra-te mais um bocado no pingar e ouve as
criancinhas que afinal não tens a chorar,
são alucinações que passaram,
histórias de infância que criaste, porque a tua infância não foi traumática,
foi apenas.
já nada resta.
quem tem o que tu tinhas?
quem te tirou o teu confortável nada e te deu uma torre de babel?,
com um quarto no topo e lances de escadas que simbolizam cada um
todos os anos que passaste a ser fel e mais fel
e merda e mais merda.
soa mal dizer asneiras.
soa mal contares histórias de quem eras.
são deprimentes e maçadoras,
é como ouvir falar um gato do seu tempo de fera
e olha só as horas!,
já é tempo de partir,
contas os teus contos noutra altura,
deixei a a cama por fazer e os miúdos estão para vir,
sabes como é ou então não,
o que interessa é que nós nos havemos de ver por aí.
vejo-te de novo e olho para baixo para evitar histórias desinteressantes.
assobio, já que é um clássico cinematográfico de "não, não estou aqui."
e lá vão as notas, embaladas.
passam por ti e queres lá tua saber, tens mais que fazer!,
tens que recordar as histórias inventadas.
uma por uma, elas vêm, tu vê-las e apagam-se como velas.
são coisas.
são histórias.
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