domingo, 26 de agosto de 2012

soldado desconhecido

dá-se a alvorada, prepara-se o pelotão para partir,
somos mais que 30 filhos da mãe a levantar o acampamento
é na terra do sol nascente, é o maior dia da minha vida
e se esperam a história de um herói vos desiludo e lamento.

éramos todos sem sustento nem alento nem rumo.
tínhamos nada mais que um ponto de  chegada
passam árvores e passa tudo e ao longe vemos fumo.
"é ali" grita o capitão, "é tudo ou não é nada!"

de granada em mão vamos forte em direção aos cabrões
voam 61 milímetros de metal e fogo grego e eis a revolta:
nada perto da fogueira, nada mais que vestígios das explosões
grita o homem do comando "vem aí a reviravolta!"

flanquearam-nos desprevenidos e só os vejo a vir.
eu no meio pego na arma e atiro a quem não for dos meus
vejo um dos meus camaradas a arrastar-se e a cair,
cai-lhe a chapa do pescoço, que será feito dos seus?

"pelotão 24" ainda me lembro, "esteves, o soldado".
fez o treino comigo e agora só o vejo do outro lado,
tudo às mãos destes terroristas ou lutadores da liberdade,
conforme o lado onde está o financiador da guerra sentado.

rápido se foram, éramos mais e mais fortes,
deles caíram 20, dos nossos caíram nove.

ergam estátuas, esqueçam nomes, eles foram para nós sermos
cantem por eles que eles foram fortes pelo povo menino
e quando quiserem saber porque não vivemos em ermos,
olhem para a estátua do soldado desconhecido.

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