"passas, mas só desta vez!"
dizem elas num tom pomposo,
senhoras de si mesmo
e donas de todos nós (ou pelo menos agem como tal).
a decidir que liberdades cabem a quem,
quando a ninguém deviam caber,
a escrutinar a paciência, a exigir silêncio
quando as próprias bocas parecem não conhecer
tal suplício, que mesmo por momentos, é um castigo extenso.
ao menos eram justas, e praticavam o que pregam!
mas a hipocrisia já as tomou por garantidas
e elas nada fazem, estão tão bem com o mal que não contrariam.
mas quem me dera a mim,
após dar entrada na terra do demo
(que quer haja, quer não haja, é para onde vou)
e ao aproximar-me das portas do meu mundo que alguém fez,
dizerem-me num tom pomposo
"passas, mas só desta vez!"
pessoa
oculto.
escondido em Campos que reflectem a tua angústia,
a tua revolta com a vida que deitaste para o chão
mas isso é outra história,
que o teu outro eu escreveu,
num poema de 4 páginas, que vai para lá do que é
ou o do que podia ser.
e no entanto, é tão palpável como tudo.
que tantas vezes chamaste de nada.
e foste também pastor,
um homem da natureza
que é tão inconstante e abstracta
como o que tu és.
ou eras.
agora és concreto, varrido de mente e d'alma.
nada mais que poeira e ossos
se é que ainda duram
como o que escreveste dura.
e foste também pessoa na rua dos Douradores
onde foste alma e aclamavas o que pensavas
e da tua falta de calma surgiram textos
todos eles no mesmo contexto,
sem nada em comum,
que contam a história do teu pensamento
que só por si é um elemento baseado em memórias
que foram contigo e com o tempo,
para lá da metafísica.
Sem comentários:
Enviar um comentário