e celebra e afoga dores.
é o ritual no qual me encaixo,
venham também, meus senhores.
sigam o rasto e o cheiro a animais
e vão p'la sombra que arde a lua!
ou então sou eu que vejo a mais
no rio onde o reflexo flutua.
é uma vida de espelhos,
parece tudo tão real.
vou a pegar num copo
e cai tudo ao chão.
vamos ao fundo de joelhos
até ao altar real.
tenho direito a um voto para cada decisão.
e deito tudo a perder, que ia eu ganhar?
sou pobre a ser pobre e só de vos olhar
vejo que na miséria, sou senhor e vocês
aí altas, empilhados em merda, estão à minha mercê.
e vem um cheiro fétido
a sémen e suor.
de manhã é tudo angélico
mas agora não é hora
de pensar no que aí vem,
porque não vem porra nenhuma;
expectativas?, quem não as tem?
só não as levanto por coisa alguma.
"vem aí o riquinho,
de charuto na mão
ainda é um menino
e já vai nesta procissão!"
celebramos a vida e a morte,
bebemos um pouco de cada um!
e com alguma sorte
não entornamos nenhum.
seja o copo de madeira
ou o cálice de ouro.
o qu'interessa é que dê pr'á bebedeira,
o qu'interessa é que não seja pouco.
nascemos na miséria, morremos na valeta,
mijamos pelas ruas, chocamos canecas!
o que vai pelo meia é a vida e já só a vejo aos pedaços.
juntem-se a mim nesta lida, sentem-se neste regaço!
no fundo do copo
vejo tudo distorcido
mas pouso-o e o que olho
é apenas o mundo partido!
já caí tantas vezes
que já conheço o chão.
vocês olham-me de pé,
sem conhecerem o que são:
nada mais que calçada, um pedaço de nada.
a viveram na ignorância porque a vossa ganância
é só pela quantidade e nunca pela qualidade.
antes 20 anos livre que 70 cativo no que os outros querem de mim.
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