quinta-feira, 31 de maio de 2012

reunião

sentam-se todos, uns d'outros tempos e outros dos d'agora.
e depois, a cruzarem o pensamento, mandando-o para fora,
vivem tempos de outrora.

que destes tempos que se correm já nada se aproveita,
estão todos à espera que d. sebastião esteja à espreita
mas nem de longe vê-lo!, vivem todos num pesadelo
onde são todos alguém e ninguém conhece um sonho que seja.

"eu uma vez conheci um."
"eu soube doutro que ninguém conheceu."
"em fiz parte d'um em comum
com todos os outros mas não era nada meu.
era uma ilusão num ecrã.
era um espetáculo de amanhã..."

e nenhum se lembra de nada,
sofrem de amnésia.
com tudo de mão beijada
e agora na miséria.

"eu ainda me lembro de a levar a jantar fora!
havia tanto para toda a gente...
mas já me falha tudo da memória,
quem sabe se as vendi por pão quente
e meia dúzia de tostões para atestar o carro
que tive de vender para pagar um telhado
que agora nem os meus filhos dão valor, ingratos!,
mas não os culpo, dei-lhes tudo mas nada que valesse lhes foi dado,
o tempo que passei a ser doutor
não passei a ser pai e que remédio o deles se não guardar rancor..."

todos tiraram ficha para a fila da dos degenerados.
de ilustres vitrais sobram apenas cacos.
foram boas decorações, mas para pilares são fracos,
não se constrói uma sociedade a partir pedaços.


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