domingo, 22 de abril de 2012

o capitão ao mar

ó mar, os teus dias já foram.
fechaste as tuas águas a quem te deu nome!
de ti já só ondas britam,
os filhos de quem te criou passam fome...

somos do mesmo sangue,
da mesma carne, do mesmo espírito
e mandas contra nós as tuas falanges,
só por seres prolongamento do infinito!

céu do céu. da terra, um véu
que tapa as nossas imperfeições.
de tantos homens um mausoléu,
de tantos que se somem, nem visões.

eu, um saco de pele e ossos,
um empecilho, um conceito.
dono e posse de um culto de devotos
que conhece apenas um sujeito:

o mar nosso, o mar de todos!,
repleto de vida e para onde venho morrer.
o grande colosso, o pai do êxodo!,
infinito pr'ós sonhos que vêm aqui ser.

o problema é que os deixamos todos por terra...
o meu sonho de ser capitão ficou n'aldeia
e volto ainda hoje, para junto da serra
onde sonho navegar p'lo irmão da areia.

mas agora que sou o que queria ser
só quero viajar pelas ruas que nem vagabundo.
nada brota daqui, este mar mo fez ver

Sem comentários:

Enviar um comentário