soltando-se cada vez menos,
cada vez mais parte de um corpo rígido,
não é livre como a água mas é gotícula.
é incapaz de experienciar a entropia,
é ser sereno.
cada vez mais se batia e debatia,
sobre a vida viciada que lhe era reservada.
sem virtudes, com uma reação para cada ação,
para cada dádiva uma maldição
e para cada anjo,
nada.
arranha o tecto e tenta rugir,
mas vive no vazio e só a luz viaja,
ainda que não haja quaisquer indícios
dela querer surgir:
sabe deus que p'ró santo ofício o vício é
fugir.
escoa-se em segundos,
materializa-se no instante mais oportuno
e com a aplicação de um só esforço,
não só de sentido oposto
como de maior força,
regredimos.
e puxados para baixo fomos.
a gravidade extrapolou-se
e toda a matéria sucumbiu à sua antítese,
inferno e paraíso como se um só fosse!,
a fera faz o que quer e a vida
sumiu.
sobre o sonho de ser fluído
e sob a condição de ser movimento de todos os outros.
sobre o sonho de ser gás ideal,
de ser desprovido de se juntar a todos
e sob o perpétuo castigo de nunca ser
deformado.
nunca sendo diabo,
sempre imaginando como era ser demónio,
mas não passando de um vulgar lapónio,
passar noites a fim, sem fim e enfim,
por fim
questionar-se:
será que ser senhor de seiscentos e sessenta e seis seres sobrenaturais ou ser esse pandemónio de desassossego sabe tão bem como ser escravo?
ele não saberá, sob o braço austero da cinética.
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