entrava outro rapaz, era jovem por enquanto
mas era homem no entanto...
sem paz nem alento.
chorava por todos os cantos,
corre para mim e só lhe exclamo:
"tivera eu 6 euros por cada um que vejo chorar estaria eu rico.
mas vivo como ermita por isso ou não vejo dinheiro ou não mo dão..."
ele olha para mim, de faca na mão
"que foi que fizeste meu filho?!"
"matei padre, que quer que lhe diga?"
"pousa isso no chão"
"que não o suje de sangue"
"já está em podridão"
"não é nenhum mangue"
"nem a solo sagrado chega e chamam-lhe igreja...
viu isto mais profanidades às mãos de quem as perdoa
do que os infernos..."
cai a faca no chão, tomba uma vez com o gume e outra com o cabo.
ecoam sons pelo templo.
"quem foi que mataste?"
"quem não mereceu vida"
"ninguém merece e para todos basta"
"mas porque se arrasta a quem não lhe dá devida lida?"
"sabe s. pedro isso e a ele lhe cabem julgamentos"
"e castigos a ninguém cabem, se s. tomé é santo e precisou de ver para acreditar em sacramentos
quem sou eu para acreditar que o paraíso é privado a santos?"
"é a eles que tecemos prantos sem qualquer espanto, portanto se sofreram em vida
para arcarem com tormentos doutros não sei até quanto terá o seu encanto em ser santo;
talvez ser demónio será melhor morte"
"e sem me dizer à mesma quem os condena à sorte"
"eles mesmo, o destino não é de ninguém"
"que faz deus então, se não é a esse ponto forte?"
"deus criou-nos a todos, se quer saber ou não, não sei.
mas a verdade é que nenhum arquitecto governa a obra depois de feita"
"então somos nós quem nos findamos?"
"fomos nós quem redecorou a construção de deus, porque não?
não nos sujeitámos aos sacrifícios dos malefícios da gentileza e pobreza do espírito do homem
para nos descurarmos e deixarmos cada um às mãos de si mesmo"
"então o castigo é nosso de aplicar"
"seria se a morte fosse pena"
"que é então se nem serve para sancionar?"
"só para os niilistas é o fim da sentença;
todos os outros não são egoístas
a cingirem-se a apenas um plano,
todos os deístas ou até mesmo os indecisos
não te podem dizer que a morte é mal algum
quando não deixa de ser algo humano,
perfeitamente bem explicado e conciso,
com princípio, meio e fim sobrepostos num"
"então se morrer agora, deixa tudo às mãos de deus?"
"que ele me ampare se eu por lá cair"
"e sabe que nada acaba por aí?"
"sabe deus e sabem os seus,
mas se algum dia de lá vir,
com a minha trouxa arrumada às costas
e saudades de d'onde vim
é porque era sim castigo e não amor.
e se vivi toda a vida em castidade
para ir lá e sair prejudicado,
antes voltar a mais dias de tormentos,
sabe deus que não é perfeita nenhuma cidade,
mas nem o cúmulo lhe chega aos calcanhares"
"nunca ninguém de lá voltou"
"então ou é benção
ou pena na melhor prisão
que jorrou aos pés do homem:
uma que nem ele controla
e que só a ele assola"
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