terça-feira, 22 de novembro de 2011

bestas/bestas 2/vida

bestas
amores e dores


bestas, 
são os meus amores e as minhas dores que não me deixam.


sempre a ser acossado diariamente pelo meu ódio às coisas
e pela minha paixão à emoção,
moldada num tabu.


quem me diz que o equilíbrio é bom se só na morte o terei?
enquanto vivo, deixam-me ser desequilibrado e ridículo.


bestas 2
bestas do governo


"senhor cínico, tem genuinidade à mostra!"

"ah, erro meu.

que terrível que era ter a confiança das gentes.
sentiam-se em segurança e com segurança não precisam de política!
agora reina a fragilidade.
ninguém confia nos democratas,
todos querem um líder, mas no meio de tanta cara de pau não se encontra um ponta de humano."


"somos todos bestas e felizes com isso."


"e temos tudo.
temos o mundo, 
temos fatos que nos tapam as mentiras
e grandes barrigas que não nos deixam ver os nossos sapatos,
engraxados pelo rapaz da praça que tão ridículos achamos,
brilhantes e a realçar o escuro que vai dentro de nós.
o frio das nossas palavras quentes chega para congelar o inferno!"


"e eles não congelam nem nos põe termo!"


"vivem congelados em fogo."

"à espera que chegue o fim

para dizerem que triunfaram sobre os tiranos
sem sequer erguerem armas."


vida


pus as mãos no fogo
e ardi.
pus paixão em jogo
só porque sim.


o demagogo ditou a lei.
qu'eu me queimo
só porque sei
que não temo.


pus o pé na água
que é parte de mim.
só tenho fé na mágoa,
foi tudo o que vivi.


questionas o que faço,
só porque o faço.
o meu pensamento escasso
só reina no espaço.


pus a mente no ar
e nada mais senti.
restou-me pensar
e agora não nasci.


o pantomima fala
o dialecto da vida
mas a sua voz rebaixada
não diz nada, dorida.


pus-me debaixo da terra
porque nada tive
o céu não é para quem erra
nem para quem vive.


de juras erguidas em vão.
de curtas despedidas a quem me tirou o coração.
de heresias a deuses que não o são.
eu sou feito dos restos dos que virão.

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