quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

política de neo-regressão

olá sol,
olá inverno gelado mas acima de tudo febril,
olá raiar por entre as nuvens de fumo,
olá neblina omnipresente,
olá nébula omnipotente de pensamentos, peças, partes de um todo que por sua vez é parte de um todo.

ouçam-me todos, neste comício pela loucura,
neste comício pelo prazer,
neste hospício para todos nós que pensamos para lá do que se vê e do que há,
nós somos sonhadores no próprio som,
cada nota musical que se propaga por nós é um nó que nos desaperta a mente cada vez,
abraçando todas as noções controversas e as moções imersas numa sincronia em harmonia completa.
nós somos um omniverso.
não, dois. três. mas apenas um de cada vez, propagados um no outro como quando se atira uma pedra para a água
e se vê ondas dentro de ondas,
colidindo com tudo à volta.
nós somos fotografias, monografias, poligrafias, caligrafias e ignorancías que nem se sabem escrever direito.
nós somos uma tabacaria, onde só se vendem sorrisos e fantasias. não, na verdade é um sítio de ócio e pecado. não, na verdade vendemos metafísica,
cuidadosamente enrolada numa mortalha de transcendência,
pronto a fumar e a atingir o nirvana com 3 leves prestações.
nós somos provas concretas da nossa existência, somos pensamentos divididos em momentos divididos em 7 desenvolvimentos: nascer, viver 5 vezes e morrer
muitas vezes para deixar bem claro que cessamos de existir em nós mesmos.
nós somos anáforas. somos repetições. somos eco-eco-eco-eco. somos repetições. eco


somos os jovens que não nasceram.
somos os que já morreram.
somos feitos de gente que (já) não está cá (ainda).

no entanto, somos incrivelmente físicos. niilistas de alma fervente.
presos por correntes às nossas máquinas feitas de deus.
(corpo feito de pensamento.)
solipsistas extremos, rodeados de pensamentos de outros.
(um único rodeado por nada.)
somos dementes e cientes da nossa sanidade mental.
(santidade da ignorância que tudo sabe.)

somos o trigo separado do joio.
somos um cereal killer.
somos um tipo de humor tão rasca que é reservado às mais altas elites, onde reinam a estupidez e a incoerência.
nós, os reles, a ralé, os rascas, os rudimentares, os ridículos, tão mais sentidos nas artes e nos contrastes que as altas sociedades ignoram e:
1º pintam quadros
2º todos pimpões e janotas e fofitos e com umas molduras todas bonitas de uma marca de burguesinhos.
3º só falta pendurarem os quadros sobre a cabeça do povo e dizerem que nos compreendem,
E VOILÀ!
a receita perfeita e cuidadosamente melhorada e adaptada ao longo dos éons para o típico discurso de "não se preocupem, já estabelecemos controlo.",
enquanto o s.s. portugal continua em rota contra o gigantesco fim do mundo plano, que se enquadra tão perfeitamente nas mentalidades das gentes felizes com a situação.

mas felizmente, existimos nós, não é?
a mó de baixo, o moinho que mói as próprias palavras e ideais e sorri à espera de um mundo melhor,
que encomendámos aos senhores que fazem um mundo melhor
só para não nos causar estorvo.

somos nós com muito medo da revolução.
com medo da regressão para o mundo mecânico.
mas ainda mais medo da evolução para um mundo humano, instável e tenebroso.

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